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Realizações de Torneios

Comentário Interessante

Quem organiza as Competições ?

As competições de pássaros nativos ocorrem na forma de Mini Torneio, Torneio Regional, Etapa de um Campeonato e Concurso.

Para a realização deste tipo de atividade, deve ser solicitado um Alvará junto ao IBAMA, a partir do Escritório mais próximo do local de realização do evento. Pessoas físicas, Clubes, Associações, Federações e Confederação podem solicitar Alvará para assumir a organização deste tipo de evento.

Os torneios e exposições devem ser realizados em locais adequados e devidamente protegidos de ventos, chuvas e sol. Somente poderão participar aves com anilhas invioladas, sem quaisquer sinais de adulteração e de origem comprovada (cadastrados no SISPASS ou com Nota Fiscal de Criador Comercial ou Loja).

Organizar estes eventos tem algumas implicações de responsabilidades e as respectivas penalidades legais (multa ou prisão) a respeito do mesmo. Veja o que diz a legislação sobre infrações que se ocorrerem o organizador poderá sofrer punições:

§ 8º Organizadores dos torneios e exposições de que trata este artigo e criadores amadoristas, serão responsabilizados administrativa, civil e penalmente quando constatadas irregularidades, como:

I – comércio ilegal, caracterizado como tráfico, praticado por criadores amadoristas registrados no IBAMA e participantes do evento dentro e fora do âmbito deste ou, ainda, em suas proximidades, que de imediato terão suas aves apreendidas e as licenças suspensas podendo ser canceladas após a apuração dos fatos, sem prejuízo das demais penalidades previstas na legislação em vigor.

II – criadores amadoristas com passeriformes sem anilhas, anilhas violadas ou adulteradas;

III – anilhas gravadas com datas que não correspondam à idade real do espécime;

IV – relações de passeriformes adulteradas;

V – anilhas com diâmetros (bitola interna) incompatíveis com o tarso da ave ou em desacordo com as especificações contidas nos Anexos I e III; e

VI – qualquer evento sem a via original da Autorização expedida pela Gerência

Porque não vemos passarinheiros organizando os seus próprios Torneios ?

Além dos riscos citados acima, estes eventos exigem que o organizador assuma necessidades logísticas tais como:

– Conseguir (alugar ou emprestar) um local com amplo espaço para acomodar a competição;

– Divulgar o evento de distintas formas para assegurar que tenha um número de participantes adequado para cobrir despesas decorrentes da realização do evento;

– Contar com uma Equipe para: orientar os locais reservados para o estacionamento dos visitantes e expositores; trabalhar na recepção e venda de fichas de inscrição; preparar as planilhas de inscrições para serem entregues aos Juizes; convocar Juízes, Chefes de Rodas e Auxiliares; pessoas que estarão envolvidas com a sinalização, montagem e transporte das estacas;

– Adquirir Troféus ou Certificados de Participação para serem entregues no final da Competição.

Quem organiza o Calendário de Competições ?

Geralmente os Clubes tem um Calendário próprio de Competições locais ou regionais, e à Federações Estaduais fica a incumbência de desenhar um Campeonato Estadual. Por fim o Campeonato Nacional é definido pela COBRAP em reuniões com os Clubes interessados em recepcionar uma etapa.

Torneios tem época própria ?

Sim e geralmente eles ocorrem na alta temporada: final de Outono até o final do Verão (de agosto à abril).

Quem julga nos Torneios ?

Geralmente a Diretoria dos Clubes ou das Federações tem um conjunto de pessoas que foram previamente designadas para cumprir tal função, vez que foi comprovado nestes o notório saber para exercerem esta função.

Quais modalidades de Competições existem para o Canário da Terra ?

Podemos agrupar as distintas modalidades em dois Grupos: Coletivos e Individuais.

No Grupo de Competições Individuais temos:

– em praticamente todas as Competições a Modalidade de Canto Livre;

– No Estado de São Paulo temos a Modalidade de Canto Metralha Clássico e Metralha tanto para Pardos como Amarelos;

– No Estado do Rio Grande do Sul tínhamos até 4 anos atrás as Modalidades Retinido e Retinido Corrichado tanto para Pardos como Amarelos.

No Grupo de Competições Coletivas temos: Concursos de Mutações e Rodas de Fibra.

Cumpre lembrar que para cada uma das modalidades citadas até o momento existe um conjunto de regras especificas e estas são denominadas Regulamento da Competição.

Como funcionam as Competições ?

Além dos quesitos comentados quanto as condições em que os pássaros podem participar das Competições, há outros quesitos que devem ser cumpridos (estaremos comentando sobre as Competições organizadas por Clubes, Federação ou Confederação):

– Só podem participar das Competições (que são organizadas por Clubes, Federações ou Confederação) os pássaros cujos proprietários mantêm vinculo formal (são associados) com algum Clube;

– Para participar de cada Torneio ou Etapa de um Campeonato é necessário “comprar” uma ficha de inscrição, cujos valores oscilam entre R$ 10,00 e R$ 15,00;

– No momento de aquisição da Ficha de Inscrição, o expositor deverá provar estar em dia com as suas obrigações financeiras com o Clube onde é associado. Obs.: Aqui em São Paulo estaremos inovando a partir de 2.007 com a utilização de Cartão Magnético que irá facilitar o controle destas informações.

– Na Ficha de Inscrição deverá ser preenchido o Nome do Pássaro, Numero do Anel, Nome do Proprietário e o Clube ao qual é associado;

– Estas Fichas de Inscrição deverão ser entregues (ao Juiz ou Chefe de Roda) no momento de introdução do pássaro à Estaca da Competição;

– Os resultados classificatórios da Competição serão apresentados após o encerramento de cada Modalidade, e imediatamente depois são entregues os Troféus ou Certificados de Participação que constam a Modalidade que o pássaro competiu e a Classificação obtida naquele dia.

– Para melhor compreensão sugerimos que seja lido o Regulamento de cada Modalidade, pois isto irá enriquecer os seus conhecimentos com informações complementares.

Como saber onde estará ocorrendo determinada Modalidade de Competição ? Como é julgado ?

Em geral todas as Modalidades ocorrem em um único e amplo recinto. São espaços gigantescos para acomodar cada modalidade para cada espécie de pássaro, acomodar os carros estacionados dos expositores e visitantes, bem como é reservado um espaço para reunir stands de fábricas, distribuidores e lojistas, que lá estarão divulgando ou comercializando produtos tipicos da nossa atividade.

Obs.: Geralmente nos stands encontramos uma variedade maior do que em qualquer boa loja, independente do seu porte. Por isto, mesmo a maioria que não leva seus pássaros para competir, gostam de ir apreciar a apresentação dos bons pássaros e aproveitar para comprar gaiolas, acessórios, remédios, alimentos, etc …, itens que dificilmente são encontrados em lojas próximas do próprio domicilio.

Para cada Modalidade é destinado um espaço especifico. Estes espaços tem distancia suficiente entre uma e outra Modalidade, visando assegurar que a performance do pássaro não seja interferida por ruidos de pássaros da mesma ou de outras espécies.

Canto Individual

No Canto Individual é assegurado que cada Modalidade tenha uma Estaca especifica. Por exemplo: Canto Livre, Canto Metralha Clássico Amarelo, Canto Metralha Clássico Pardo, Canto Metralha Amarelo e Canto Metralha Pardo.

Ao redor de cada Estaca é colocado uma corda de proteção, formando um circulo com raio de 5 metros. Na parte interna desta área ao redor da Estaca, estará o Juiz, o Auxiliar e o Expositor (dono do pássaro que estará se apresentando). Ao Juiz é designado a tarefa de avaliar qualitativamente as cantadas que irão ocorrer a cada apresentação. Ao Auxiliar fica as atribuições de chamar cada pássaro para apresentação, cronometrar os 5 minutos de apresentação e sempre verificar o ambiente do entorno para assegurar que não esteja ocorrendo nada que possa interferir na apresentação do pássaro.

Na forma de julgamento de cada uma destas modalidades podemos destacar que:

– No Canto Livre são computados (anotados em papel) a quantidade de cantadas emitidas durante os 5 minutos de apresentação de cada pássaro. No final da apresentação de todos os pássaros, a classificação será considerada pela quantidade de cantadas, sendo que aquele que tiver produzido maior quantidade entre todos, receberá o primeiro lugar.

Obs.: Na temporada 2.007, a FEBRAPS estará iniciando uma mudança nas competições patrocinadas por ela. Ou seja, a partir da próxima temporada, o Canto Livre no Estado de São Paulo será avaliado pela somatória dos tempos acumulados em cada cantada. Assim, o primeiro lugar será daquele que permanecer o maior tempo cantando.

– No Canto Clássico ou Especial são analisados a Qualidade do Canto em detrimento da Quantidade de Canto. Para realizar este julgamento, há um conjunto de quesitos qualitativos que estão citados no Regulamento da Competição de Canto Individual da FEBRAPS. Assim, no final, levando em consideração os quesitos qualitativos e depreciativos de cada apresentação é que são atribuidos notas e definido a classificação do dia.

Por fim, para responder a pergunta deste tópico, temos a infelicidade de informar que na maioria das vezes não há sinalizações adequadas, para que cada expositor ou visitante possa localizar com facilidade o local onde ocorrerá a Modalidade do seu interesse. Desta forma, é perguntando e no boca a boca que acabamos conseguindo localizar o local que procuramos.

Canto Coletivo

Deixarei de comentar sobre os Concursos de Mutações devido ao fato de que a ocorrência desta Modalidade só aconteceu uma única vez na cidade de Belo Horizonte e foi organizado pela COBRAP.

A Modalidade mais comum de Canto Coletivo são as Rodas de Fibra. Aqui o bicho pega, pois o número de pássaros é grande, o tempo de competição dura toda manhã e o ambiente no entorno é de muita animosidade.

A Roda é formada utilizando estacas de alturas iguais (para apoiar as gaiolas) e que são posicionadas em circulo de forma que: entre uma e outra gaiola fique a distância que varia de 20 e 30 cm. Cara a cara os CTs irão cantar com o intuito de tentar se sobrepor em relação aos seus vizinhos. Nestas demandas de canto, no ultimo periodo de julgamento, os fiscais estarão anotando a quantidade de cantadas produzidas durante 15 minutos. A classificação será em ordem decrescente e considerando a quantidade de cantadas anotadas.

Quem coordena todo os aspectos operacionais inerentes é o Chefe de Roda. Este terá a prerrogativa de designar quem serão os seus auxiliares/fiscais. Para participar da Roda o pássaro deve ser apresentado na Estaca até as 8 horas da manhã e o seu término ocorre entre 11h30 e 13h00. Há outros quesitos a serem cumpridos e para isto sugerimos que seja lido o Regulamento de cada evento local, regional ou estadual.

Quem não inscreve pássaros paga para assistir o Torneio ?

De um modo geral não são pagas as visitações ao recinto das Competições. No entanto acredito que isto esteja com os dias contados e logo estarão sendo cobrados pequenas taxas para os visitantes que vão ao local com o “único” intuito de assistir as Competições. Organizar Torneios tem representado uma obrigatoriedade moral para os Clubes e um evento com prejuizos financeiros que o seu caixa não tem conseguido absorver nestes novos tempos. Por outro lado, pagar valores simbólicos para assistir a apresentação dos melhores exemplares de cada modalidade sempre representará uma oportunidade de excelente conhecimento e aprendizagem.

O Regulamento é sempre o mesmo ?

Não. A cada temporada é divulgado o Regulamento que estará valendo, e este poderá ter sido modificado ou mantido em relação à temporada anterior. Da mesma forma, cumpre alertar que nem sempre o Regulamento de um Campeonato Estadual é exatamente o mesmo de uma atividade Local ou Regional. Assim, se um amigo pretende colocar pássaros para participar de determinada competição, deve ter o cuidado de ler antecipadamente o Regulamento específico, para não ser surpreendido com particularidades que destoem em relação ao que estaria acostumado.

Cumpre ressaltar que alguns Regulamentos estão presentes nos arquivos deste Grupo, o que permite que se familiarizem com as particularidades inerente da propria região do seu domicilio.

Nada substitui a importância visitar as competições, para que o Criador ou Mantenedor, se atualize com as tendencias que estão ocorrendo no ambiente da Criação Doméstica. Portanto amigos, jamais deixem de visitar os Torneios a cada temporada, pois, caso contrário vão ficar desinformados ou submetidos a informações contraditórias que podem ocorrer no meio passarinheiro.

Escrito por Ivan de Souza Neto

Saudações Sicalienses com Paz, União e Seriedade

Escrito por Ivan de Souza Neto , em 25/4/2007

A Ornitofilia e a Sociedade

Vamos pensar bem

A cria de pássaros em cativeiro, envolve muitas das vezes alguns preconceitos naturais, daqueles que vêem um contraditório na manutenção dos pássaros em gaiolas.

De fato, a primeira impressão é a de que essas aves mantidas em espaços reduzidos, deveriam estar em liberdade.

Estes conceitos, vão mudando de ótica, quando nos aprofundamos verdadeiramente na análise histórica e ecológica do por que desse longo processo de interação homem-animal ao longo dos séculos.

 

HISTÓRICO

 

As nossas origens, desde o tempo das cavernas, foram de uma total integração com a Natureza, e o prazer do convívio com diversas formas de vida, está inserido profundamente no nosso comportamento e estrutura genética. Resulta incrível verificar, que os próprios aborígines, no meio da mas intacta Natureza, tenham seus próprios animais de estimação, numa interação que está em nossas veias. Negar essa necessidade humana, significa desconhecer uma realidade inegável. Na sociedade moderna e urbana difícil resulta de imaginar qualquer ambiente, seja ele profissional, comercial ou doméstico, onde não haja um jardim, um animalzinho de estimação, ou uma foto sequer de um ambiente natural.

O homem foi se aglutinando em grandes metrópoles, mas manteve intactas as suas necessidades de contato com a Natureza, gerando um mercado que hoje chamamos de “Pet”, que nada mais é do que um enorme universo de opções animais disponíveis para nos fazer companhia.

Estatisticamente, o mercado Pet é o que mais cresceu no Mundo nas últimas décadas, o que vem a comprovar que por mais agitada que a vida moderna seja, por mais concentrada a “selva de pedra”, e mesmo com o impressionante avanço tecnológico, de comunicações e entretenimentos, o ser humano mantém uma fisiológica necessidade de contato com outras formas de vida.

Esta situação, acarreta um risco eminente de agressão ao meio ambiente, pois alguns dos animais escolhidos pelo homem (os pássaros principalmente) são capturados ilegalmente da Natureza, e comercializados pelo tráfico especializado, que depois dos entorpecentes e das armas, é o que mais mobiliza recursos no Mundo.

 

PÁSSAROS, ECOLOGIA E PROTEÇÃO AMBIENTAL

 

A extinção das espécies, ou sua drástica diminuição populacional se deve basicamente a 4 fatores:

1. Emissão de produtos poluentes

2. Destruição do Habitat Natural

3. Caça predatória

4. Fiscalização inadequada.

 

No caso específico da Caça Predatória, uma das formas mais eficazes de minimizar esse problema, é o estímulo à cria em cativeiro das espécies mais procuradas pelo homem. Dessa forma, e ao longo dos séculos, algumas espécies avançaram tanto nesse sentido, que se viram livres dessas ameaças tendo em vista o enorme sucesso do homem na sua reprodução em confinamento. Surgiram assim, as espécies chamadas de “domésticas”, tais como cães, gatos, galinhas, cavalos, canários, pombos, diamantes, etc.

O sucesso da cria de animais em domesticidade é tal, que inúmeras espécies estão tão difundidas que longe de sofrer qualquer ameaça de extinção, são reproduzidas aos milhões todo ano, ficando assim isentas da ação fiscalizadora sobre eles. Quem quiser criar qualquer animal doméstico, não precisa realizar qualquer tramitação junto ao IBAMA. É evidente no entanto, que até se tornarem “domésticas” milhares de abnegados criadores passaram por centenas de anos aprimorando os métodos de reprodução, manejo, sanidade, nutrição, etc. etc.

Assim como o homem passou de um estado chamado de “selvagem” para outro de “civilizado”, onde passou pela adaptação de uma vida em grandes áreas e baixíssima concentração populacional a se adaptar a viver em pequenos apartamentos de alguns metros quadrados, e trabalhar em verdadeiros cubículos, se transportar literalmente comprimidos em meios de transporte subterrâneos, sem sequer ver muitas vezes a luz do dia, os animais também passaram por essa adaptação, de “silvestres” para “domésticos”.

Tal foi essa adaptação, que se fossemos colocados subitamente no meio selvagem dos nossos ancestrais, a nossa chance de sobrevida seria praticamente zero, da mesma forma que os animais que acompanharam o homem e hoje estão dentro da gaiola,canil ou baia, livres do stress, das inclemências do tempo e dos predadores, não tem chances de sobrevida na Natureza, talvez após uma adaptação monitorada.

No caso específico dos pássaros, por estarmos ainda num período de intenso tráfico, destruição constante do hábitat natural, fiscalização deficitária por falta de recursos, etc. a cria em domesticidade tem um apelo ecológico fundamental, que entendemos merecedora de mais estímulo por parte das autoridades.

Cada pássaro que se cria na gaiola, ocupará certamente o lugar de outro que seria retirado da Natureza. É uma contribuição direta para o desestímulo ao tráfico.

 

O ALOJAMENTO

 

Existem alguns sinais claros de estresse por alojamento inadequado, espaço, temperatura, iluminação, etc. etc.

O principal, é o insucesso na reprodução. As aves somente se predispõem à reprodução quando estão perfeitamente adaptadas ao mesmo, e seu nível de estresse é muito baixo.

A disposição para o canto também representa um claro sinal de adaptação.

A aparência sanitária, demonstra também que a ave está alojada em lugar apropriado.

Não é preciso grandes conhecimentos e experiência para percebermos se uma ave encontra-se à vontade no seu alojamento. É incrível a sensibilidade natural que as pessoas têm, mesmo leigas, para perceberem a adaptação ou não de um animal no seu alojamento.

Se olharmos o tamanho das baias dos cavalos, dos canis, dos pombais, etc. etc ., sentiremos em primeira instância, a sensação de serem locais inadequados, sentimento este fruto do desconhecimento de que a transformação de “selvagem” em “doméstico” significa perfeita adaptação à espaços reduzidos sem qualquer reação de estresse.

Todos nós, humanos e os animais que ao longo da história nos acompanharam, trocamos o ar livre, as grandes áreas, a intensa atividade, a busca tenaz pelo alimento, a constante luta contra o frio e o calor, os predadores, etc. etc., pelo conforto das cidades, com os alimentos ao alcance da mão, a água na torneira, a proteção das inclemências, etc. etc.

Isto fatalmente, representa adaptação à espaços reduzidos.

Não poderíamos deixar de mencionar nesta análise, a experiência secular sobre este tema que os países europeus ostentam. No velho continente, onde a consciência ecológica é muito desenvolvida, a legislação é muito cuidadosa nesse sentido e os estudos de inúmeras gerações permitiram conclusões muito acertadas, o alojamento dos animais está perfeitamente equacionado e as gaiolas de exposição atendem perfeitamente as necessidades de cada espécie, sem exigências de espaços muito grandes. Nas exposições de canários roller (serinus canários) para citar uma espécie que se expõem na Europa e no Brasil, o tamanho da gaiola de exposição é de 30 cm de comprimento.

 

TRAFICANTES E CRIADORES

 

Existem no meio ornitófilo, 2 figuras opostas nos seus comportamentos, postura ética e interesses.

1. Caçadores e traficantes

2. Criadores.

Os caçadores e traficantes, pouco se sensibilizam com a beleza do canto ou da plumagem, pouco se importam com a vida, e visam apenas o lucro, sem medir as brutais conseqüências dos seus atos. Para eles, o bem estar das aves não conta, a alimentação dada é apenas para eles subsistirem sem causar “prejuízos” e é o lucro e tão somente o lucro o que os motiva.

Já os criadores, sentem desde a sua infância o fascínio pelo canto e pela beleza, cuidam dos seus pássaros melhor do que a sim mesmos, e estão dispostos a gastar altas quantias de dinheiro nas melhores opções de alojamento, alimentação, tratamento veterinário de seus pássaros. Se a sua ave padecer de qualquer mal, o incorporam como se fosse próprio.

 

Ainda são poucos os representantes da sociedade que conseguem efetivamente diferenciar esses 2 grupos antagônicos no seu comportamento, antagônicos nos seus princípios, antagônicos nos seus interesses, e definitivamente antagônicos na sua contribuição ecológica.

Os criadores ornitófilos pertencem ao grupo daqueles que, não sendo fiscais do governo, não podendo frear o desmatamento, e nem controlar o uso indiscriminado dos agrotóxicos, e ainda terrivelmente estigmatizados, saem da simples retórica, para, com fatos concretos, buscar na reprodução em cativeiro, uma forma de amortecer esse terrível mal do tráfego e a depredação.

Resulta muito difícil de aceitar os inúmeros adjetivos pejorativos que se fazem classe que é amiga e não inimiga, que protege e não destrói, que multiplica a vida enquanto outros a dizimam.

Inúmeras espécies estão livres de ameaça graças ao trabalho de alguns abnegados que conseguiram a sua reprodução em cativeiro.

Temos total consciência da dificuldade que representa para as autoridades, distinguir o traficante do ornitófilo, como também para todos nós cidadãos é extremamente difícil se não impossível, distinguir o político honesto do corrupto, mas nem por isso a solução será colocar todos no mesmo conceito e classificação.

DOS TORNEIOS

 

Os torneios e exposições são meios de confraternização e divulgação do trabalho realizado. Tanto nos concursos de exemplares de cor como os de canto, um alojamento inadequado representará fatalmente no mau desempenho tanto do visual como do canto do exemplar.

Existem inúmeras pessoas que dedicaram a sua vida inteira ao estudo das técnicas de transporte e alojamento das aves para obter delas o máximo do seu potencial, e certamente esse já seria argumento mais do que suficiente para entender que nós mais do que ninguém quer encontrar esse bem estar.

Ninguém mais interessado do que o próprio expositor em obter o melhor resultado do seu exemplar, e parece obvio e um alojamento desconfortável e inadequado, representará num desempenho ruim.

Escrito por Alvaro Blasina, em 17/3/2007