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Criação de Trincas (Picharro)

Dicas importantes

Considerações do autor sobre a Criação de Trincas

Amigo Rob de Wit,

Há algumas coisas que eu gostaria de levantar, embora o conselho do Claudiney seja o melhor: procurar sempre um veterinário.

O problema é que nem todos os veterinários são como o Claudiney. Existem até muitos bem intencionados, mas a especialização em aves nativas é para poucos.

Algumas coisas são fruto da minha observação e da minha fúria autodidata:

a) a administração de anticorpos através das secreções do papo;

b) o PH da mistura repassada aos filhotes;

c) o equilíbrio iônico ferro-cálcio na alimentação;

d) o percentual das vitaminas do complexo B na alimentação;

e) o decréscimo do teor de proteína na mudança de alimentação hidratada para alimentação seca;

f) a presença de fungos no instrumental (seringa, colher) de alimentação artificial;

g) o uso aleatório de antibióticos

Não sei se é de conhecimento de todos e, por favor, não tomem como pedantismo.

O gênero Saltator era classificado como sendo mais próximo aos frugívoros que aos granívoros. Em outras palavras, até não muito tempo atrás, os taxonimistas colocavam os Saltator entre Tanagra, Thraupis, Schistochlamys, etc.

Entre eles o Trinca-ferro.

Um ponto comum entre os frugívoros é que as vitaminas do complexo B são tóxicas para eles. Melhor dizendo, as doses ideais para administração são menores que as dos granívoros em geral. Isto foi constatado por americanos e holandeses, em trabalhos científicos sobre a reprodução de saíras.

Então, ficamos com a primeira questão: qual a percentagem ideal de vitaminas do complexo B para os Saltator? Não há informações disponíveis na literatura brasileira.

Porém, por analogia, seria uma dosagem menor que as aplicáveis para granívoros.

Só que o que tenho visto, nas rações, misturas, etc., é que essa sensibilidade não é considerada.

Na natureza, durante a alimentação das crias, os Saltator ingerem insetos que são naturalmente pobres em cálcio. E ingerem frutas que são mais ricas em cálcio. Não posso precisar quais frutos consomem. Só que, de uma forma geral, ingerem uma alimentação com menos ferro que se possa supor para um granívoro.

Alguns que conheci criaram filhotes de trinca-ferro capturados ilegalmente e anilharam os filhotes, criando os filhotes à mão com uma mistura de banana e ração extrusada batida no liquidificador. A proporção de vitaminas do complexo B e cálcio na banana pareceu ser ideal, porque a taxa de sobrevivência foi alta. Relembro que sou pessoalmente contra a prática de captura de filhotes na natureza. Só estou relatando um fato que observei.

O fato é que há uma competição entre ferro e cálcio. Doses maiores de ferro na alimentação prejudicam a absorção de cálcio. E o ferro é bem tóxico para frugívoros. Isto é um fato cientificamente comprovado. E a VALE VERDE foi a primeira produtora de rações (MEGAZOO) para aves a perceber isto no caso de frugívoros. Mérito do Paulo Machado.

Então, quando sobrecarregamos o ferro na alimentação do Saltator estaremos prejudicando a absorção de cálcio. Isto é fato. Mas quanto de sobrecarga não posso dizer, porque não há estudos para os Saltator. Só posso concluir que as rações com componentes de origem em carne animal terão uma abundância de “ferro heme”. Na natureza os vegetais forneceriam “ferro não heme”, cuja absorção é cerca de três vezes menor e seria melhorada com vitamina C e com o próprio ferro heme. Então, ao darmos a um frugívoro ração com traços de carnes animais, daremos ferro heme e esse ferro heme potencializaria a absorção de ferro não heme de origem vegetal. Resultado, prejuízo por competição com o cálcio.

Os teores de sódio e potássio também não são analisados pela literatura para os Saltator.

Com isto é certo dizer que em matéria de equilíbrio iônico, a criação de Saltator é feita aleatória e empiricamente.

Damos percentuais aleatórios de matérias fermentáveis: amidos e sacarose. Os açúcares naturais na alimentação de um Saltator seriam frutoses e açúcares invertidos. Essas fermentações demandam cálcio. Se um Saltator ingerir ferro em excesso, haverá prejuízo na absorção de cálcio. Se ingerir fermentáveis, o resto de cálcio será direcionado para a fermentação.

Com isto o PH do intestino do Saltator irá oscilar muito, acidificando-se.

Com a acidez, teremos ambiente para a infestação por fungos.

Aliado a isto há o fato de os filhotes tratados à mão não recebem os anticorpos pela alimentação natural dos pais.

Ao usarmos seringas, introduzindo e reintroduzindo na cavidade oral, levamos fungos para a boca dos pássaros. A seringa deve ser esterelizada sempre.

Mesmo assim, a introdução de seringas gera sempre microtraumas. Para nós não são visíveis. Mas estão lá. E essas pequenas lesões são normalmente atacadas por Cândidas, fungos.

Por isto há produtos para frugívoros na Holanda que já possuem nistatina na formulação.

Há um mau hábito aqui no Brasil de uso preventivo de antibióticos. Nisto temos dois rivais. O uso de antibióticos é grande na Holanda e na Inglaterra entre criadores. E os mais conscientes sabem do mal que isto causa a médio prazo e a curto prazo. A médio prazo geramos cepas mais resistentes de bactérias, por simples seleção natural. A curto prazo, matamos a incipiente flora bacteriana dos filhotes, facilitando a proliferação dos fungos.

Então já vi uma associação de banana (cálcio, complexo B), ração Agroceres (milho), soro fisiológico à base de açúcar de uva e cloreto de sódio e FLORATIL (Saccharomycces bourlardii) dar certo para a criação de Saltator.

Para um criador certa vez, em um diálogo, não uma consulta, porque não sou profissional veterinário, sugeri o seguinte:

a) realizar a assepsia do ambiente contra fungos. Frugívoros e fungos não combinam. Com o perdão aos asseados, os mantenedores de trinca-ferros não são tão obcecados com a higiene quanto deveriam. O Claudiney, o Rob e outros poderiam falar sobre a peste dos Aspergillum;

b) esterilizar seringas de tratamento em água fervente ou autoclave. Seringa de plástico é para ser usada uma vez e jogada fora.

c) formular uma ração com profissional especializado. Como dica uma maior teor de cálcio, menos ferro e menos complexo B.

d) pensar no emprego da mistura de casca de ovo e folha de mandioca que a Pastoral da Igreja Católica fabrica, como fonte adicional de cálcio orgânico.

e) bebedouro com soro fisiológico de cloreto de sódio + açúcar de uva + Floratil. Nada de banheira para banho até a muda de ninho.

f) bebedouro desinfetado e trocado diariamente.

g) nada de antibióticos por conta própria. Presumi que os tratamentos preventivos aplicados aos pais foram feitos a tempo e modo corretos, sob a orientação de um veterinário.

h) na estação chuvosa, algumas gotas de nistatina na água de beber.

No cerrado, um cipó é muito escolhido pelos Saltator para fazerem ninhos. E o cipó amarra-vaqueiro (Combretum leprosum). O cipó é um antifúngico natural. Talvez Deus em sua extrema sabedoria tenha dado uma orientação genética aos trinca-ferros. Não sei.

Só sei que as sugestões de manejo já “deram certo” muitas e muitas vezes. E já há alguns filhotes de Saltator realmente nascidos em cativeiro com o emprego dessas sugestões.

São só coisas para reflexão.

Um abraço a todos,

Fernando Martuscelli

Escrito por Fernando Martuscelli , em 8/6/2009

Trinca Ferro (Picharro)

Trinca Ferro (Picharro)

Dicas interessantes

Claudiney Daniel dos Reis

ALIMENTAÇÃO:

O Trinca-ferro / Picharro – (Saltator similis) tem sua alimentação muito diversificada. Alimenta-se de uma grande variedade de sementes (alpiste, painços, girassol, aveia, cártamo, lentilha, sorgo, cânhamo…), rações peletizadas, frutas e legumes. Para quem está querendo criar em larga escala, esta diversificação acaba complicando muito o manejo e dificultando as condições de higiene, podendo levar as aves a quadros de diarréias e intoxicações diversas. Outro problema é que a ave adquire preferência por certos alimentos, como sementes maiores e mais oleosas, e isso faz com que sua dieta fique desbalanceada, levando a quadros de obesidade e subnutrição.

O ideal seria que o pássaro recebesse uma dieta única, onde ele possa ter todos os nutrientes que necessita (proteínas, açúcares, gorduras, vitaminas e sais minerais). As rações extrusadas facilitarão muito este trabalho e com certeza teremos melhores resultados.

Vou relatar minha experiência onde uso uma ração peletizada, como base da dieta, uma farinhada de boa qualidade, grite mineral e suplementação de aminoácidos, vitaminas e minerais.

Uso tanto na ração peletizada quando na farinhada, 1% do suplemento.

Alimento Vivo: É necessário fornecer larvas de tenébrio, como fonte de proteína animal para os filhotes. Nos primeiros dias de vida dos filhotes as fêmeas procuram basicamente por alimentos vivos. Um provável substituto será a farinha de minhoca, sendo adicionada na farinhada numa proporção de 2-3 %.

Água: A água de beber deve ser filtrada e os bebedouros bem limpos.

Os trincas têm o hábito de levar alimento para o bebedouro, criando assim um ambiente propício para surgimento de bactérias e de fungos. Por isso o bebedouro deve ser bem lavado.

FASES DA CRIAÇÃO

Considerando que temos três fases na criação, reprodução, muda e manutenção, fornecemos estes alimentos da seguinte forma:

FÊMEAS

Reprodução – Fase de maior exigência, onde além das necessidades de manutenção a ave tem que produzir ovos e tratar dos filhotes.

Nesta fase é fornecida a ração peletizada e a farinhada seca, quando ainda não se tem filhotes, e umedecida, para trato dos filhotes.

Muda – É uma fase também de muita exigência e estresse.

Nesta fase é fornecida a ração peletizada e a farinhada seca, diminuindo a quantidade de farinhada à medida que a muda vá terminando.

Manutenção – É a fase de menor exigência, onde devemos preparar a ave para reprodução. Nesta fase a ave teve estar com uma plumagem completa, e uma condição corporal que possibilite passar pela fase de reprodução com uma boa produtividade sem prejudicar sua saúde.

Nesta fase é fornecida basicamente a ração peletizada. Com a aproximação do período reprodutivo, inicia-se com a farinhada em pouca quantidade e vai-se aumentando. Este aumento de alimento auxilia na preparação das aves para a reprodução.

Em todas as fases é fornecido o grite mineral à vontade.

MACHOS

Podemos seguir o mesmo esquema das fêmeas, fornecendo uma quantidade menor de farinhada do período de reprodução.

ESCORE CORPORAL

Para facilitar uma análise da condição corporal dos nossos pássaros, pensei numa forma de avaliação. Desta forma poderemos dizer com maior facilidade se o pássaro está gordo, magro, obeso ou em caquexia.

Escore um: Pássaro muito magro, peito em facão, musculatura atrofiada (caquexia).

Escore dois: Pássaro magro, peito com perda de massa muscular.

Escore três: Passaro com a musculatura cobrindo toda a quilha do peito, podendo apresentar pequena camada de gordura abdominal.

Escore quatro: Pássaro apresenta grande quantidade de gordura abdominal.

Escore cinco: Pássaro com grande quantidade de gordura no abdômen e no peito (peito-de-bombo).

O ideal é que o pássaro entre em reprodução com o escore corporal entre três e quatro.

GAIOLAS PARA CRIAÇÃO

O tamanho ideal para as gaiolas de criação é de 80 cm de comprimento, 40cm de altura e 30cm de profundidade para as gaiolas das fêmeas e 40x40x30 para os machos. As gaiolas devem ter uma grade móvel no fundo a uma altura maior que 3 cm da bandeja. Com esta grade evita-se que as fêmeas puxem o papel do fundo e diminui o contado direto com as fezes.

POLEIROS

Não podem ser lisos, de preferência frisados, com diâmetros variados.

NINHO

O ninho pode ser confeccionado em bucha ou sisal, com diâmetro de 10,5 cm e 6 cm de profundidade.

É importante fornecer raízes, sisal cortado em pedaços de até 8cm ou fibras de folha de coqueiro, para que a fêmea confeccione o ninho.

A maioria das fêmeas roda o ninho, mas deixa nele pouco material.

Algumas chegam a encher o ninho criando um espaço com o diâmetro bem menor.

SALA DE CRIAÇÃO

Deve ser bem clara e arejada. Deve-se evitar cantos retos como soleiras de janelas, para que não haja acúmulo de poeira, penas, restos de alimento etc.

O Piso deve ser de fácil limpeza e as paredes de cor clara.

HIGIENE

A melhor forma para se proceder na limpeza de qualquer utensílio, é seguir esta seqüência:

Primeiro temos que retirar as partículas maiores com jato de água. Isso facilita a ação dos detergentes e desinfetantes nas superfícies.

Em seguida podemos deixar de molho numa solução com detergente por 20-30 minutos e depois com uma escova ou uma bucha esfregar toda a superfície.

Enxaguar bem e depois fazer a desinfecção, que pode ser com uma solução de hipoclorito (cloro), quaternários de amônia etc.

Existem no mercado detergentes clorados, que eliminam a necessidade da desinfecção.

Þ Gaiolas – As gaiolas devem ser limpas todos os dias, retirando o papel da bandeja, lavando a grade com água e detergente e desinfetando-a com uma solução colorada a 300- 400 ppm (25 ml de cloro a 12% em 10 litros de água). É claro de outros desinfetantes podem ser usados.

O uso do calor para desinfecção das gaiolas é importante e deve ser feito pelo menos uma vez ao ano. Pode ser usado uma vassoura de fogo ou estufas.

Þ Poleiros – O uso da grade no fundo da gaiola, diminui muito as sujidades nos poleiros. O criador deve observar bem a posição dos poleiros para que ao defecar o pássaro não suje o poleiro que estiver abaixo.

Os poleiros devem ser mantidos sempre limpos.

Þ Bebedouros – Devem ser bem lavados, escovados e desinfetados todos os dias, pois os trincas têm o hábito de umedecer o alimento, criando na água do bebedor um ambiente propício para bactérias e fungos.

Þ Comedouros – Devem ser limpos pelo menos uma vez por semana, mas o criador deve ficar atento, pois assim como nos bebedouros, o alimento umedecido incrustado cria um ambiente favorável principalmente para os fungos.

Þ Sala de criação – Não deixar acumular penas e restos de alimentos no chão. O uso de bandejas móveis sob as prateleiras diminui a necessidade de varrer o local todo o dia, estressando menos os pássaros.

MÉTODOS DE CRIAÇÃO

O criador pode optar por duas formas de criação: MONOGAMIA ou POLIGAMIA, que dependerá da finalidade da criação.

A monogamia é o sistema onde há formação do casal, onde os dois ficam responsáveis por alimentar os filhotes.

Vantagem:

Þ Menor trabalho com manejo reprotudivo;

Þ Maior facilidade na alimentação dos filhotes.

Desvantagens:

Þ Gaiolas ou viveiros maiores;

Þ Necessidade de espaço maior para criação;

Þ Riscos de agressões aos filhotes;

Þ Melhoramento genético lento;

Þ Menor produtibilidade.

A poligamia é o sistema onde um macho é utilizado para cobertura de mais de uma fêmea, podendo chegar facilmente numa relação de 1:5.

Vantagens:

Þ Gaiolas menores;

Þ Verticalização da produção;

Þ Espaço menor para criação;

Þ Maior produtibilidade;

Þ Melhores condições de seleção genética;

Þ Menor riscos de agressões aos filhotes.

Desvantagens:

Þ Maior tempo dispensado para o manejo reprodutivo;

Þ Ajuda na alimentação dos filhotes.

MANEJO REPRODUTIVO NA POLIGAMIA

Nestas condições a fêmea é a dona do território, exerce dominância, chegando muitas vezes a demonstrar agressividade na presença do macho. O macho demonstra respeito pela fêmea, às vezes medo.

Para facilitar o cruzamento, precisamos de fêmeas dominantes sem agressividade e machos que respeitem as fêmeas, mas que não tenham medo.

Fêmeas muito agressivas ou macho com medo, representam maiores dificuldades para o cruzamento.

É comum as fêmeas de trinca pedirem gala mesmo não estado prontas. Este comportamento é chamado pelos criadores de “gala falsa”. Normalmente estas fêmeas são boas criadeiras e é um sinal que estão bem adaptadas ao cativeiro.

A “gala falsa” é uma dificuldade a mais na hora de fazer os cruzamento. Brigas são comuns e muitas vezes acabamos perdendo um bom reprodutor, por este ficar com medo da fêmea ou agressivo, não fazendo mais a cobertura.

Na tentativa de diminuir estes acidentes, passo a informar alguns cuidados e observações que o criador deve ter:

Somente tente fazer o macho galar a fêmea, se esta estiver confeccionando o ninho. Se ela pedir gala, mas estiver acompanhado os movimentos do macho, não é a hora.

A fêmea, quando pronta, fica estática, parece estar em transe. Portanto, se estiver movimentando a cabeça ou o corpo, ainda não é a hora.

Normalmente quando ela esta pronta, ela pede gala e junta as penas da cauda para facilitar a cobertura.

Use a grade divisória na gaiola da fêmea. Se o macho entrar na gaiola e ela continuar parada, é sinal que esta pronta. Então volte o macho para a gaiola dele, espere de 20-30 minutos e deixe-o entrar na gaiola, agora sem a divisória.

Se a fêmea pedir gala de costas para o macho, provavelmente ela vai deixar ele galar.

Estas são observações que podem ajudar, mas com o tempo o criador passa a conhecer melhor as fêmeas, e saberá detalhes do comportamento de cada uma, tendo assim melhores resultados.

As fêmeas podem continuar aceitando o macho por até 3 dias. A postura ocorre, normalmente, 2 dias após ela não aceitar mais cobertura.

Se o macho estiver com uma boa fertilidade, uma cobertura é suficiente para fertilizar todos os ovos. No início da temporada é importante deixar o macho fazer mais coberturas até termos maiores garantias da fertilidade. Depois é melhor diminuir as coberturas, assim poderemos cobrir mais fêmeas com um mesmo macho.

INCUBACÃO DOS OVOS

Os ovos serão incubados por 13 dias.

A ovoscopia, para se ter maior segurança, deve ser feita com 5 dias, mas a partir de 3 dias já é possível observar o embrião.

NASCIMENTO DOS FILHOTES

Nos primeiros dias de vida dos filhotes, a fêmea procura basicamente por alimento vivo. É importante fornecer também uma farinhada umedecida de boa qualidade, com níveis de proteína acima de 20%.

É preciso regular a quantidade de larvas de tenébrio, pois o seu excesso pode causar compactação nos filhotes.

O criador pode tentar não fornecer alimento vivo, para isso recomendo adição de 2-3 % de farinha de minhoca na farinhada.

SEPARAÇÃO DOS FILHOTES

Os filhotes devem ser separados entre 35-40 dias.

É uma fase crítica para os filhotes. O estresse da separação pode predispor o filhote a doenças, devido uma baixa nas defesas do seu organismo. Portanto devemos fazer o possível para evitar transtornos nesta fase.

Þ Não junte filhotes de mais de uma ninhada numa mesma gaiola. Caso não seja possível, pelo menos não deixe filhotes mais velhos com os mais novos. Os mais valentes podem bater nos mais novos, prejudicando o seu desenvolvimento e causando estresse.

Þ Fornecer um soro hidratante e ou um complexo vitamínico nesta fase é muito importante, pelo menos uns 7-10 dias.

Þ Mantenha os cuidados com a higiene. Os filhotes experimentam de tudo, inclusive as fezes. Uma gaiola com a grade alta no fundo, é indispensável.

Þ Uma grande preocupação nesta fase é com a coccidiose. Se possível, monitore com exames de fezes o número de oocistos.

Þ Sempre que observar algum filhote com problemas, separe-o para que possa ser melhor tratado.

Þ O principal é não deixar os filhotes adoecerem, pois a recuperação, dependendo do caso, é bem difícil.

* * *

(Claudiney Daniel dos Reis é Médico Veterinário, Diretor de Criação de Trinca-ferro da COBRAP e criador de Trinca-ferro em Belo Horizonte.)

Escrito por Claudiney Daniel dos Reis, em 21/9/2003